Renato Sevestrin Reche · MÉDICO | CRM-SP 169803 · Revisado em 10 de setembro de 2026
Uma consulta por suspeita de depressão procura entender o que mudou, avaliar a segurança e definir um cuidado possível para aquele momento. O ponto de partida pode ser desânimo persistente, perda de interesse, dificuldade para cuidar da rotina ou um tratamento anterior que trouxe pouco benefício. Você não precisa saber explicar por que está assim para procurar ajuda.
O atendimento com Renato Sevestrin Reche é presencial em Araçatuba e online quando a modalidade é adequada ao caso. A primeira consulta tem pelo menos 60 minutos. Esta página explica o processo de avaliação e acompanhamento; para conhecer manifestações e diferenças em relação à tristeza e ao luto, leia o artigo sobre como reconhecer a depressão e procurar tratamento.
Se houver intenção de suicídio, tentativa de se ferir ou dificuldade de permanecer em segurança, procure atendimento imediato em UPA ou pronto-socorro, ou ligue 192. Não aguarde agendamento ou resposta por WhatsApp. [1]
O que a avaliação precisa compreender
Importa conhecer tanto a mudança recente quanto a história anterior. Quando o interesse pelas coisas diminuiu? Como estão sono, alimentação e energia? O que ficou difícil em casa, no trabalho ou nas relações? Essas informações ajudam a avaliar a intensidade do quadro e as necessidades mais urgentes.
A consulta também investiga doenças físicas, medicamentos, uso de álcool ou outras substâncias e períodos anteriores de sofrimento. Perguntas sobre segurança fazem parte da avaliação, inclusive quando a pessoa não fala espontaneamente sobre pensamentos de morte. Escalas podem ajudar a acompanhar sintomas, mas não substituem essa conversa. [2]
Outra parte importante é perguntar sobre fases de energia e atividade incomumente aumentadas, menor necessidade de sono e mudanças marcantes no comportamento. Um episódio depressivo pode ocorrer no transtorno bipolar, e essa história interfere nas decisões de tratamento. Ter tido um dia animado, isoladamente, não define bipolaridade. [3]
Exames podem ser úteis quando há uma hipótese clínica a esclarecer. Não existe um exame isolado que confirme depressão. Às vezes, informações complementares e acompanhamento são necessários antes de tornar o diagnóstico mais preciso. [4]
Quando é difícil contar o que está acontecendo
“Estou decepcionando todo mundo” diz algo diferente de “estou com dificuldade para levantar, trabalhar e responder às pessoas”. As duas frases podem surgir na mesma consulta, mas uma descrição muito dura de si precisa ser compreendida, não simplesmente aceita como um retrato fiel.
Em The Person with the Diagnosis, Glen O. Gabbard propõe aproximar a experiência interna da pessoa da observação clínica. [5] Essa atenção ajuda a escutar culpa e vergonha sem reduzir a avaliação a esses sentimentos. Você pode falar do que não conseguiu fazer, de dúvidas sobre o tratamento ou de algo que ainda não consegue colocar em palavras.
O que levar se já houve tratamento
Antes de decidir se uma proposta falhou, é necessário entender o que de fato foi realizado. Se você já usou medicamentos, procure trazer o nome, o período de uso, as doses prescritas, os benefícios percebidos e os efeitos que dificultaram a continuidade. Receitas antigas podem ajudar quando a memória não é suficiente.
No caso de psicoterapia, pode ser útil contar quais dificuldades foram trabalhadas, como foi a experiência e por que terminou. Isso não serve para julgar um profissional anterior, mas para compreender o percurso e evitar repetições pouco úteis.
Leve também a lista dos medicamentos e suplementos atuais, além de exames ou relatórios relevantes que já possui. Não altere ou suspenda o tratamento por conta própria apenas para preparar a consulta; se houver efeito preocupante, procure orientação prontamente. Se não conseguir organizar nada disso, venha com o que lembra; a preparação não deve se tornar outra exigência impossível.
Como se define a proposta inicial
O plano considera gravidade, duração, risco, outras condições de saúde e suas preferências. Há situações em que psicoterapia é uma opção inicial; em outras, medicamentos ou uma combinação de intervenções podem ser indicados. Apoio para necessidades básicas e encaminhamentos também podem ser necessários. As possibilidades são discutidas conforme a avaliação, sem promessa de um tratamento específico. [2, 4]
Uma decisão útil precisa ficar compreensível. Qual dificuldade essa intervenção pretende tratar? Quais benefícios são esperados e quais efeitos merecem atenção? Quando e como a resposta será reavaliada? O objetivo é que você saiba o que observar e tenha espaço para dizer se a proposta parece inviável.
Quando houver medicação, o acompanhamento deve considerar efeitos adversos e mudanças do quadro, especialmente no início e após ajustes. Agitação incomum, piora importante ou pensamentos de se ferir exigem procura pronta por avaliação; risco imediato é situação de emergência. Não inicie, altere ou suspenda medicamentos por conta própria. [2, 4]
Algumas situações exigem atendimento mais intensivo ou um serviço especializado. Reconhecer essa necessidade não significa abandonar o cuidado nem concluir que o caso “não tem solução”. Significa adequar a assistência ao que a pessoa precisa.
O que fazer quando a melhora é parcial
Pode haver menos tristeza e ainda pouca energia; o sono pode melhorar enquanto o interesse pelas atividades permanece reduzido. O acompanhamento procura discriminar essas mudanças. Perguntar apenas se está “melhor” pode esconder tanto um avanço importante quanto uma dificuldade que continua limitando a vida.
Uma resposta pequena pede revisão do diagnóstico, do tratamento realizado e de obstáculos como efeitos indesejados, custo, esquecimento ou falta de apoio. Conforme o caso, pode ser necessário ajustar a estratégia, combinar intervenções ou buscar outra avaliação. Essa revisão não se resume a recomendar que a pessoa se esforce mais. [6]
Depois da melhora, também é importante discutir a continuidade do cuidado e sinais pessoais de nova piora. Sentir-se melhor não é orientação para interromper o tratamento sozinho. A duração e o intervalo das consultas dependem da história e da evolução.
Informações sobre a consulta
Renato Sevestrin Reche é médico formado pela FMRP-USP, com residência médica em Psiquiatria no Hospital das Clínicas da FMRP-USP. O atendimento é a partir dos 10 anos. A avaliação de crianças e adolescentes considera o desenvolvimento e a participação dos responsáveis, sem transpor automaticamente as recomendações para adultos.
As consultas são particulares, presencialmente em Araçatuba ou online quando adequado. Eventual reembolso depende das regras da operadora do seu plano. O consultório e o WhatsApp de agendamento não são serviços de emergência. Além da rede de urgência, o CVV oferece apoio emocional gratuito pelo 188, sem substituir atendimento médico imediato quando necessário. [1]
Referências
[1] Ministério da Saúde. Suicídio e prevenção. Sinais de alerta e serviços de ajuda.
[2] NICE. Depression in adults: treatment and management. NG222. Avaliação e decisões de cuidado.
[3] NIMH. Bipolar Disorder. Episódios de humor e diagnóstico.
[4] NIMH. Depression. Avaliação, tratamento e acompanhamento.
[5] Gabbard GO. The Person with the Diagnosis. Psychiatric News. 2014;49(6):1. Texto do autor.
[6] NICE. Further-line treatment. Evidence review D, NG222. Revisão de resposta insuficiente.
